Você conhece Minsk, a capital da ex-república soviética Belarus?



Minha curiosidade de viajólogo – querer descobrir países pouco conhecidos e geograficamente isolados – vem me levando, nos últimos anos, a percorrer caminhos diferentes. Foi assim que, ao regressar da Mongólia (veja posts anteriores) e aterrissar em Moscou, resolvi incluir no meu roteiro rodo-ferroviário pela Europa do Leste um país chamado Belarus.

O espaço que a Belarus (um upgrade do nome anterior, Bielorrússia) consegue na mídia internacional é por ostentar o título de “a última ditadura europeia”. O presidente Alexandre Lukashenko foi eleito em 1994, mas usando e abusando de plebiscitos e de mudanças nas regras eleitorais, ele já conseguiu emplacar seu quarto mandato consecutivo.

Entrar em um país dirigido por um governo ditadorial me dá a sensação de regressar ao mundo obsoleto da Cortina de Ferro. Quando chego na estação ferroviária de Minsk, meus olhos desconfiados parecem observar tudo e todos, como se fossem um radar nervoso e apreensivo. Apenas cinco minutos depois de ter saído do trem, meu celular toca e uma voz em inglês, com um sotaque carregado, me avisa que uma pessoa está a minha espera no hall central da estação. (Em uma troca de emails, na véspera, com a Direção Nacional de Turismo da Belarus, eu havia enviado, confiando nos meus interlocutores, o número de meu celular e o horário de chegada do trem). Durante uma fração de segundo, pensei que, a partir daquele momento, eu seria vigiado passo a passo (o que acontece na China) e que não teria mais liberdade de perambular pela capital.


Na minha infância fui fartamente influenciado pelos livros de Ian Flemming e de seu herói James Bond. Nos anos 1960, os vilões eram os russos, que utilizavam espiãs encantadoras para seduzir o agente 007. Esta imagem volta subitamente à minha mente quando encontro uma belíssima jovem de cabelos negros longos e soltos, ostentando um sorriso sensual e uma placa “Mr. Castro”. Entro no jogo, me apresento e ela simplesmente ordena: “siga-me”.

Não, não fui abduzido pela agente do KGB local e a novela Bond acaba por aqui. Estamos no século 21 e a vontade de participar de um mundo globalizado fala mais alto. Sou muito bem recebido pelo alto escalão da empresa estatal. Eles querem aproveitar a tarde para me mostrar que Minsk, apesar de ter sido arrasada durante a guerra entre soviéticos e nazistas em 1944, possui belos monumentos históricos, praças populares e gente hospitaleira. Sempre aberto às boas surpresas, passo meu primeiro dia em Belarus descobrindo uma capital arborizada, limpa e serena. Seguem algumas das fotos:






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